O Que Não Te Contaram Sobre Dinheiro Em Pesquisa

Você já deve ter visto algumas chamadas assim:

Mas você já viu esse dinheiro sendo usado? Você sabe de onde ele vem e para onde ele vai? Sabe se você poderia acessar essa grana? E mais importante de tudo: você saberia como?

De modo geral, é senso comum no Brasil que ser pesquisador não dá dinheiro.

Quantos professores ricos você conhece pessoalmente? E pesquisadores ricos, quantos?

Se você jogar agora mesmo no Google “Pesquisadores Ricos no Brasil”, talvez saiam um ou dois artigos sobre como “cientistas brasileiros bancam as próprias pesquisas.”

Isso faz questionar por onde anda todo esse dinheiro das manchetes. Será que essa é mais uma jogada de marketing do governo para dizer que estão “investindo no Brasil”?

Uma Breve História do Fomento à Inovação

Vamos explorar isso de forma simplificada:

O governo criou em 1969 um fundo para desenvolvimento científico e tecnológico do país (o FNDCT).

Naquela época, apenas pesquisadores individuais eram financiados.

Com o passar do tempo, porém, o fundo começou a secar, porque não havia um fluxo contínuo de dinheiro.

Porém, em 1997 o governo decidiu garantir a arrecadação, distribuindo parte dos impostos ao FNDCT, e a partir daí a coisa engrenou.

Em 2021 veio a cereja do bolo com a Lei Complementar nº 177 que removeu os limites de execução dos programas de fomento e permitiu a utilização de até 50% dos recursos do fundo, permitindo programas muito mais rechonchudos.

A partir daí, de acordo com as prioridades do governo, são abertas bolsas, subvenções e financiamentos para que empresas, instituições de ciência e tecnologia, e pesquisadores avancem na inovação do país.

Ou seja: pesquisadores individuais associados a instituições que desejam inovar tem como pegar uma parte desse dinheiro!

Bom, isso tudo parece excelente! Por que então não temos um país altamente inovador onde quem trabalha com Pesquisa e Desenvolvimento é rico e os carros voam?

Por um simples motivo:

A maioria não sabe aprovar projetos!

Deixa eu mostrar um exemplo. Nas linhas de fomento FINEP são públicas as listas dos resultados das empresas que submetem projetos.

Saiba mais:
Lei nº 10.973
​​Histórico FNDCT
​​Lei Complementar nº 177

Em janeiro de 2024 foi lançado um conjunto de linhas de subvenção denominado Mais Inovação Brasil.

No total, foram 10 linhas temáticas com quase R$ 2 bilhões destinados a empresas.

Até o momento em que escrevo, apenas R$15 milhões foram outorgados (menos de 1%!!!). O diagrama a seguir mostra como é a distribuição atual de recursos:

Diagrama de Sankey do fluxo orçamentário dos fomentos em milhões de reais

E não é por falta de propostas. Já foram avaliadas 169 propostas, sendo que apenas 2 foram contempladas. Nem sequer 2% das propostas tem sucesso, mesmo após três rodadas de avaliação.


Agora que te contei tudo isso, você sabe uma coisa: o tempo onde pesquisa e inovação eram sinônimos de falta de dinheiro já passou, mesmo que poucos saibam e estejam aproveitando; um verdadeiro oceano azul.

Portanto, se você chegou até aqui, consegue enxergar as oportunidades que estão surgindo e está interessado em aprender a acessar esses recursos, acompanhe o blog: há muito ainda a ser explorado para que você se beneficie.

Inovemos!