Guia Prático para Inovar como um Profissional

Todo mundo fala de inovação.

Tornou-se algo elegante, charmoso.

Mas tem uma dúvida inquietante, que não é muito abordada:

Como colocar a inovação em prática?

a) Trancar colaboradores em uma sala até que saia uma boa ideia?
b) Contratar um detetive particular para lançar as novidades da concorrência antes deles?
c) Usar o time de engenharia para criar projetos inovadores?

…o último item foi removido da lista por falta de tempo.

Antes de mais nada, é necessário enxergar que inovação é um mecanismo vivo da empresa.

É um projeto em constante evolução que não deve acabar.

Mas nem toda empresa nasce com isso.

Na maioria das vezes, a inovação precisa ser enxertada na cultura da empresa de propósito.

Isso porque, embora possa se tornar natural, a inovação é um paradigma estranho ao paradigma industrial.

Pensa bem: as indústrias são grandes mecanismo de repetição, cada vez com mais velocidade, eficiência e precisão. Processo, processo, processo.

Como é possível inovar naturalmente nesse ambiente?

Naturalmente, não é possível.

É necessária uma intervenção, um conjunto de boas ferramentas.

Vamos investigar quais são essas ferramentas para introduzir a inovação na cultura da empresa.

O Perfil Inovador

Dream-team da inovação, segundo a IA

A ferramenta unitária e mais importante desse processo.

Ter um bom conjunto de trabalhadores é essencial para estar tranquilo, independente do destino ou dos percalços da viagem.

E isso importa, porque os projetos de inovação mudam muito. Inovação é lidar com incerteza de maneira bem-sucedida.

As ideias adjacentes que surgem, como mostra o livro De Onde Vêm as Boas Ideias, demandam um bom grau de versatilidade.

Mas os colaboradores aos quais eu me refiro não podem apenas ser bons: eles têm que ser outsiders, pessoas de fora da indústria. É o que chamo de Perfil Inovador.

Existem pessoas com esse perfil na indústria? Sim, mas menos.

De onde vem esse perfil, então?

Da academia.

Não porque quem foi para a universidade é mais inteligente, culto ou astuto, mas porque o contato e uma vivência com o mundo acadêmico é difícil de replicar em qualquer outro lugar.

Publicações, journals, congressos, patentes, jargões, vivência de inovação, fronteiras do conhecimento e tantos outros paradigmas que a maioria das empresas NÃO TEM.

O Perfil Inovador fará isso praticamente todos os dias e terá que fazê-lo de forma natural.

Cada colaborador dedicado à inovação terá de ser uma máquina de encontrar ideias e juntá-las para criar novas ideias.

Ele terá de saber com clareza o famigerado “Estado da Arte”. E como sair dele.

Mas isso é impossível com indicadores cobrando resultados, chefes correndo atrás de prazos e clientes precisando de atenção.

O que nos leva ao próximo elemento.

Setor Gênios Trabalhando

Placa Atenção Não Entre Sem Autorização

Todos os dias que a moça do RH passava pelo nosso setor, ela fazia questão de dizer que era o setor mais quieto de toda a empresa.

E por mais que desse a sensação de esse era o setor “silêncio, gênios trabalhando”, na verdade ela dava sorte de passar quando o bicho não estava pegando.

Pensar requer silêncio, isso é bem verdade.

Por isso, por um lado é necessário ter um setor específico que vai cuidar de questões de inovação. Esse setor é um setor isolado, afastado da operação, que tem tempo para parar, olhar e pensar.

Mas  pensar em silêncio não produz nada.

Se tinha uma coisa que acontecia com frequência eram discussões, fugazes e generalizadas, que arrastavam todos os colaboradores que estivessem por perto. Isso acontecia quando o setor estava pensando em voz alta.

Boas ideias são emaranhados de outras ideias, como diz Steven Johnson.

E analogamente a essas conexões, os elementos do setor realizam uma função semelhante.

Projetos diferentes, com disciplinas diferentes e times diferentes muitas vezes entravam em conversas que interligavam pontos.

E assim nasciam novas ideias.

O setor ao qual me refiro é mais comumente chamado de Pesquisa e Desenvolvimento ou P&D.

É o setor que pensa fora da caixa, fora da operação, fora dos problemas do cliente.

É um setor que necessita flexibilidade e distância dos ‘incêndios’ do dia a dia.

Não, um setor de P&D dentro da engenharia não vai funcionar por muito tempo. Nem na produção, nem no comercial.

O setor tem que ter cabeça para considerar novas possibilidades e tempo para criar novas ideias.

E um setor assim demanda certa visão da gerência, o que nos leva ao próximo ponto.

Mindset ‘Deixe As Crianças Brincarem’

How to Contain Baby-Led Weaning Mess: Top Tips for Easier Clean Up — Malina  Malkani

A sue empresa é inovadora? Não se engane.

Para avançar em inovação, é extremamente importante que esteja claro qual é o status de inovação dos produtos e serviços oferecidos.

Como já comentamos em posts anteriores, existem graus de inovação, e alguns graus valem mais do que outros.

Mas além disso, é necessário ter humildade pra aceitar o status.

Na frenesia atual, todo mundo quer parecer inovador. E tudo bem, é marketing para os clientes.

Mas dentro de casa é necessário ajustar as expectativas para avançar no caminho correto. Como investir em projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação se não se enxerga a necessidade?

Mais ainda, como dimensionar investimentos e elaborar projetos de inovação se não há um ponto de partida e chegada claros?

Esta análise é muito importante. Mas há algo ainda mais fundamental.

A execução da inovação assemelha-se muito a uma criança comendo pela primeira vez: vai ter sujeira e desperdício.

Mas se não deixarmos essa exploração acontecer, dificilmente sairão bons frutos: no caso da criança, autonomia; no caso do P&D, inovação.

Por isso, a gerência deve “deixar as crianças brincarem” e estarem preparados para isso. Em todos os sentidos: relevando prazos, permitindo erros e preparando os bolsos.

E falando nisso…

Investimento Alto Risco-Alto Retorno

Empresas inovadoras separam recursos para P&D.

É um investimento de alto risco, naturalmente. Mas os retornos podem ser tão grandes que todo o resto vira efêmero.

Planejar esses recursos, no entanto, é outra história.

O custo da inovação não pode ser quantificado como um produto comum. É difícil colocar no papel quanto exatamente será o retorno de um projeto de pesquisa.

No geral, quanto maior o grau de inovação, maior o custo, maior o risco e maior o retorno — se tudo der certo.

Essa clareza é muito importante porque várias empresas deixam de inovar por cálculos errados, que levam á frustração, que levam à desistência.

A inovação é uma aposta contínua.

Há como reduzir os riscos? Sim e em uma boa medida.

A principal forma é entendendo sobre os fomentos à inovação.

O governo disponibiliza subsídios — patrocinados por nós — capazes de reduzir o investimento inicial significantemente. Pelo menos a metade ou até a 1/33 do custo total.

Já falamos dos tipos de incentivos disponíveis e onde encontrá-los. Mas se você precisar de mais ajuda para entender as oportunidades disponíveis, clique aqui!

Outra forma de reduzir esse risco é entender o mercado.

Mercado da Ventura

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O paradigma chave para a inovação é o de antecipação.

Quais dores do mercado poderiam ser solucionadas que nem mesmo o mercado enxerga?

Essa é sempre a pergunta dos milhões.

Antes do telefone, as pessoas estavam satisfeitas com as cartas, e antes das cartas, elas estavam satisfeitas com sinais de fumaça.

Sempre existem necessidades não atendidas. E onde há uma necessidade — embora muitas vezes oculta — há dinheiro.

Por outro lado, existem muitas necessidades que são latentes, quase óbvias. Isso é especialmente verdade em países em desenvolvimento como o Brasil.

Essas necessidades “básicas” geralmente são evidenciadas nas temáticas governamentais para desenvolvimento. E geralmente são em torno dessas necessidades que gira grande parte do fomento à inovação.

Porque, sejamos sinceros: há setores mais passíveis de inovação do que outros.

Não há como comparar a demanda por novidade da indústria com a do comércio.

Por isso, é essencial tentar entender quais são as reais chances de uma nova ideia exercer impacto sobre um setor.

A maneira mais clara de fazer isso é entender se há pessoas dispostas a pagar por isso. Existem órgãos, editais ou diretrizes incentivando a área da inovação?

Mas mais além, caso a falta de incentivo derive de uma disrupção tamanha que escape aos olhos dos investidores, é necessário dissecar o mercado: competidores, produtos, tecnologias, TAM, SAM e SOM.

No final das contas, o que importa é tentar enxergar as chances de sucesso.

Afinal, o mercado da inovação é feito de incertezas.

Incertezas e parcerias.

Instituições Hélice

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Um dos grandes entraves na inovação é parte prática.

Imagine tudo a que a sua empresa consegue fazer hoje.

Agora imagine que com a estrutura que se tem, serão atribuídas novas tarefas que envolvem tecnologias novas, práticas fora do processo produtivo e tempo para criatividade.

Qual será a primeira resposta?

Impossível!

Então como inovar se a estrutura não permite?

É dai que surge a pedra angular da inovação: as parcerias.

Assim como fica evidente no levantamento de Etzkowitz, em 1995 houve uma industrialização da academia e uma cientificização da produção indústrial.

Isto porque a produtividade tornou-se uma peça-chave do desenvolvimento societário. E ali houve interesse governamental.

É a junção destas três instituições que dá o nome de tripla hélice, onde academia pesquisa, industrial produz e governo financia.

Se juntarmos a fome, com a vontade de comer e lhes dermos comida ainda por cima, poderemos ter um banquete.

Os projetos de inovação, portanto, não só podem, mas devem ser feitos entre instituições.

É o que está se popularizando com Open Innovation.


Visitamos os principais elementos para inovar na prática.

Esse organismo vivo definitivamente não é tão fácil de cultivar, mas vale a pena.

Inclusive, arriscaria dizer que as empresas que não inovarem, terão a sua vida encurtada nas próximas décadas.

Inovemos!

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