Os diferentes níveis de inovação

Nem Tudo É Inovação: A Transformação De Ideias Em Produtos

Coaches, consultores, universidades, gurus e praticamente todos os influenciadores do LinkedIn parecem vulgarizar a inovação.

Em tudo se enxerga algo disruptivo: do protótipo para ambientes de microgravidade ao cidadão que recolhe lixo da rua.

Mas o qual é o real significado de inovar?

Antes de mais nada, há uma distinção importante: ideias, invenções e inovações são etapas diferentes da jornada criativa.

Ideias são o ativo mais comum, e por consequência menos valioso. Mentiu para você quem disse que ideias movem o mundo. Elas não movem.

Ideias, por si só, não valem nada.

Mas ideias são um bom começo: é a partir delas que podemos fazer alguma coisa. Elas são a ponta de flecha que rasgam a monotonia e a repetição.

Só que ideias precisam ser associadas à ação. A ideia é a semente, sem um substrato, que é a ação.

E o que acontece se juntamos ambos?

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Podem evoluir à próxima etapa, se a ideia for boa: a invenção. Esse é o segundo ativo mais comum. Substancialmente mais raro que ideias, é verdade, mas ainda sem um valor intrínseco.

Digo isso porque diariamente os institutos de patentes são preenchidos com novas invenções. Códigos, máquinas, circuitos, metodologias, o que quer que seja.

Acontece que a maioria dessas patentes envelhecem por séculos sem nunca serem tocadas após o seu depósito, porque não são úteis. E como não são úteis, ninguém paga pelo seu resgate.

Assim como as ideias não vão para frente sem a ação, as invenções não vão para frente sem utilidade. Muito legal o seu método para disfarçar a careca… mas quem se importa?

A utilidade de uma invenção se mede pelo tamanho dos problemas que consegue resolver. Ou, utilizando a linguagem do mercado, pelo retorno que dará.

E é assim que transcende a invenção à inovação, quando é apadrinhada, nutrida e enroupada, tornando-se um produto.

É isso mesmo, o que separa a invenção da inovação é sua capacidade de ser vendida.

Só que voltando ao que falamos lá no início, parece que há um fenômeno onde todos tentam justificar que estão inovando.

Isso acontece por conta do conceito do Manual de Oslo que define inovação como

“a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas.”

Ou seja, em termos práticos, há muito que pode ser categorizado como inovação. E, convenhamos, é uma sinalização conveniente: ninguém quer ser o antiquado careta.

Porém, em virtude dessa farra, foi necessário classificar a inovação: se tudo é inovação, nada é inovação.

Então foram criados três níveis de inovação.

Inovação Incremental

Evolução do iPhone e seus modelos

Ao acrescentar a um smartphone mais uma câmera ou novas capacidades de processamento, não podemos dizer que ele permaneceu igual. Nem podemos dizer isso para um call center que tinha uma espera de 15 minutos, e agora reduziu para 5.

No entanto, não é o tipo de situação que vem à nossa mente quando pensamos em inovação.

Isso porque se trata de uma oferta existente e também um público existente.

Não houve nada disruptivo, apenas um incremento do último estado do produto, serviço ou método. E podemos considerar inovação porque houve melhorias (como previsto no Manual de Oslo) e também um ganho de utilidade e valor em venda.

Para esse tipo de cenário, atribuímos o grau de “inovação incremental”.

Inovação Radical

Máquinas Nespresso

E se transformássemos a maneira como um determinado público consome um produto?

Um exemplo perfeito disso é o que a Nestlé fez com o café. Ela criou uma nova modalidade de beber café a partir de uma tecnologia para tornar a experiência mais moderna, prática e sofisticada — mesmo que por trás das cortinas seja só um café instantâneo bem caro.

Essa mudança de paradigma pode ser considerada uma inovação radical, porque trouxe à fatia de mercado existente uma nova demanda por produtos e consumíveis que antes não existiam.

Mas o contrário também se aplica:

Transição dos primeiros call centers com telefone para os call centers com fones de ouvido até que os fones de ouvido se tornam entretenimento para ouvir o rádio
Evolução da aplicação dos fones de ouvido

Foi isso o que aconteceu com os fones de ouvido em meio século: de um aparato utilizado para liberar as mãos dos operadores dos primeiros call centers em 1880, foi ajustado para o público que desejasse ouvir o rádio privadamente nos anos 30.

Ou seja, de ferramenta profissional, passou a ser um artigo de entretenimento e uso casual. Uma oferta existente que começou a ser oferecido para um novo público.

Diversos outros produtos seguem a mesma linha, como os vinhos da Yellow Tail, o Macintosh e os pijamas — que uma época servia para dormir e hoje são fashion.

Então seja ‘reciclando’ uma oferta ou um público, essa categoria de inovação é a “radical” por criar um maior potencial de novidade e tração no mercado.

Inovação Disruptiva

Famigerada tela da conexão discada (com sonoplastia, para quem tem mais de 30 anos)

Imagine como era o mundo antes da internet.

Se você tem menos de 30 anos, é praticamente impossível.

É isso que eleva as “tecnologias disruptivas” ao patamar máximo: elas não modificam o mercado; elas criam o mercado.

Isso aconteceu com a internet, aconteceu com o avião, com o carro e com qualquer tecnologia que separou a história em antes e depois.

Essa categoria se reserva às grandes invenções.

Se amanhã lançarem uma máquina de hologramas, uma máquina de imprimir comida ou uma inteligência artificial capaz de substituir o trabalhador médio — espera, isso já não existe? — imagine quanto o mundo não mudaria, quantos mercados surgiriam por conta dessa tecnologia, quanto o mundo não se ajustaria para acomodar todo o seu potencial.

Recebem a categoria de ‘inovação disruptiva’ as tecnologias que simplesmente não podem ser ignoradas.


Agora você sabe os diferentes níveis de uma proposta criativa, de ideia à inovação e o que realmente pode ser ser chamado de disruptivo.

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Inovemos!

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