Os 4 Fundamentos dos Projetos Vencedores
Você sabia que a cada 100 projetos enviado ao FINEP apenas 1 é aprovado, em média?
Isso acontece, não porque as ideias dos projetos são ruins, mas na maioria das vezes porque são mal construídos. Mas isso levanta a questão:
O que faz um projeto de inovação ser BOM?
Antes de mais nada, é preciso ter clareza que um projeto nada mais é que uma ferramenta para estruturar ideias e passá-las adiante.
De forma genérica, há quatro pilares em um projetos de inovação:
- Execução
- Ideias
- Orçamento
- Cronograma

Cada um desses elementos compõe um projeto com etapas e entregas e a ligação entre eles é o que torna a proposta realmente irrecusável para os órgãos de fomento.
Portanto a apresentação desses pilares em conjunto indicará se o projeto foi pensado para inovar ou simplesmente na esperança de receber uma bolada.
Não se engane, os avaliadores não deixam passar esse tipo de coisa: eles estão cansados de recusar projetos que querem usar os recursos só para comprar maquinário.
Portanto, vamos explorar os princípios de cada pilar para evitar o vale da morte dos projetos de inovação.
Execução
Quem vai realizar esse projeto? Sempre existe uma proponente, seja ela empresa, ICT ou startup.
Mas e o resto?
Os órgãos de fomento querem enxergar a rede de instituições que vão se apoiar para o desenvolvimento das tecnologias. Da mesma forma que dois cérebros pensam melhor que um, duas ou mais instituições geralmente tem mais capacidade para executar inovação.
A propósito, muitas das maiores linhas de subvenção, como as disponibilizadas pela FINEP, atualmente obrigam a coparticipação de ao menos uma empresa e uma ICT.
Ocorre que esse modelo se mostrou benéfico demais. É o princípio da tríplice hélice, que será abordado em outra publicação.
Ideias
No geral, as ideias para subvenção econômica emanam de duas fontes:
- A linha temática do projeto
- As necessidades da empresa
As linhas temáticas são o que os órgãos de inovação propõe em conjunto com o governo com base no que se considera mais importante para o país. Já as necessidades da empresa podem girar em torno de novos produtos, serviços ou metodologias que gerariam mais receita se implementados.
Por mais que a fusão dessas duas fontes seja suficiente, garantindo a adequação nos temas que podem ser aprovados e a rentabilidade da empresa, há uma maneira de deixar a ideia ainda melhor.
As ideias da academia tem muito a oferecer à indústria e os órgãos de fomento incentivam essa absorção. As formas de adicionar essas ideias é pela busca de artigos, publicações e patentes oferecidas pelas ICTs.
Misturar esses três elementos é a melhor maneira de dar coesão, rentabilidade e verdadeiro potencial de inovação.
Orçamento
O incentivo oferecido nos projetos é extenso e há uma tendência de que aumentem a cada ano que passa. No entanto, como alocar esse recurso? Há muitos itens financiáveis:
- Equipamentos
- Consumíveis
- Viagens e estadias
- Obras e Instalações
- Serviços
- Mão de obra
Assim como na analogia das pedras e o vaso, a melhor estratégia é primeiro considerar os custos maiores e depois os menores.
Além disso, os órgãos de fomento, especialmente quando se trata de subvenção econômica, priorizam alguns itens sobre outros. Na maior parte dos casos, o recurso humano é o mais estimado, seguido pelas parcerias entre instituições e só depois os recursos físicos. Inverter essa pirâmide geralmente não é uma boa ideia.
Cronograma
Por fim, diante com os participantes escolhidos, as ideias construídas e os recursos alocados, quando acontecerão as atividades?
Esse é um dos pilares mais importantes do projeto, porque ele traz concretude às ideias abstratas. É um exercício difícil, que exige uma visão de futuro. Mas a sua boa execução sublinha expectativas irreais e ajuda a dimensionar recursos e esforços necessários para manterem-se os prazos.
Além disso, a construção do cronograma estimula a quebra do projeto em macroetapas. Essas macroetapas devem ilustrar bem a evolução do produto, mostrando o seu aumento de TLR — do qual também falaremos em breve.
A grande diferença entre um bom projeto e os demais é a sua visão de todo e consonância entre executores, ideias, orçamento e cronograma. Qualquer outra configuração indicará desleixo, má intenção ou falta de planejamento, o que resultará em rejeição.
Por isso, utilizamos a analogia dos pilares para alicerçar o projeto: é imperativo dimensioná-los de forma harmônica para que a estrutura não sucumba.
Inovemos!